A luta dos Bombeiros ou os Bombeiros e a luta (II)

 

safe imageComo fora previsto aconteceu hoje a concentração dos Bombeiros do País no Terreiro do Paço, junto ao Ministério que os tutela.

Tenho que confessar que excedeu as minhas expetativas quanto ao número de bombeiros e Associações/CB’s representadas;

Não sei se excederá quanto aos resultados, mas essa é uma questão que só conseguiremos responder após ver a reação do poder; Mas uma coisa o poder tem que compreender: a união aqui demonstrada pressagia outras formas de luta, mais eficazes que no passado, se vierem a ser necessárias; porque no passado não houve mais que “ameaços” e os políticos terão que perceber que a concentração de hoje não foi propriamente só “ameaços”, mais demonstrando que pesem embora as diferenças de objetivos os bombeiros estão no caminho da união.

E se a LBP coloca, e bem, o foco na lei de bases da nova ordenação da proteção civil, mudando para além do nome, que é da praxe (não há alteração em Portugal que não veja o nome mudado), a totalidade da organização nomeadamente impondo nesta uma regionalização, que, se bem me lembro, no geral, o Povo rejeitou há anos num referendo.

Esta é uma questão de Instituições, e as instituições adaptam-se; Diferente já é a questão de ter ou não direção e orçamento autónomos; Se as várias Instituições que somam dez por cento do socorro têm esse direito, não será lógico que sendo uma a fazer os outros noventa por cento tenha também a sua autonomia? Não temos qualquer receio das inspeções de quem financia uma parte importante dessa atividade (no que a essa parte diz respeito), é lógico que assim seja; Não é essa a questão. A questão é de igualdade entre os diferentes intervenientes.

Mas essa não é, no meu ponto de vista (e continuo a dizer, é a minha opinião pessoal) a única questão; Nem talvez a mais importante, ou que mais impacto tem nas pessoas e no seu futuro.

O Governo aprovou vários diplomas, entre os quais os que regem a carreira de quase todos os intervenientes, como disse antes, dos que não as têm definidas noutros diplomas, ou noutras atividades, isto é, definem a carreira dos bombeiros profissionais, municipais etc.

Então e os profissionais dos CB detidos por Associações Humanitárias? Não são profissionais? Vem Fernando Curto, e bem, defender a integração dos elementos das EIP (Equipas de Intervenção Permanente) no mesmo estatuto dos outros profissionais; É um começo, mas, e os outros? A igualdade entre os diferentes intervenientes, impõe a sua inclusão.

O objetivo, mesmo da LBP, é um CB, uma EIP; Que garante oito horas por dia, cinco dias por semana (e isto independentemente do horário que tenham) o que dá quarenta horas, mas a semana tem sete vezes vinte e quatro ou seja cento e sessenta e oito horas; E, teoricamente pelo menos, não se inclui neste socorro a emergência pré-hospitalar que diga-se em abono da verdade representa a maioria das intervenções;

Então, quem garante o resto? As dezasseis horas/dia, os dois dias de folga e o mês das férias? E a emergência pré-hospitalar?

Sem dúvida os voluntários, mas sobretudo os restantes funcionários das Associações, que pelos vistos não há interesse em incluir em nenhuma destas categorias. Nem a Associação dos Bombeiros Profissionais se lembrou de os incluir; Não ouvimos a Liga falar deles (entendemos que interesse focar cada vez num objetivo), mas também não ouvimos outras Associações mais recentes lembrar que existem.

Será que não fazem falta?

A resposta está plasmada no protocolo tripartido que assinado com a criação das EIP:

“Cláusula 2ª

  1. A EIP assegura o socorro e permanência ativa em todos os dias úteis por um período semanal de 40 horas….

….

  1. A associação garante a disponibilidade de um piquete constituído por um mínimo de 5 (cinco) bombeiros através do recrutamento de elementos voluntários para assegurar as missões de socorro previstas nesta cláusula, fora dos períodos de funcionamento da EIP…”

Todos sabemos que, pese embora a atuação de alguns voluntários esta garantia é dada pelos restantes “assalariados”;

Negar esta evidência é prolongar a agonia, mas não resolvê-la; É continuar a “tapar o sol com a peneira”, assobiar para o lado, mas deixar que o problema persista.

Independentemente do que vierem a ser os resultados da concentração de hoje, esta é uma questão que os responsáveis dos bombeiros não podem esquecer, sob pena de deixar espaço para outras organizações que em nada ajudam à união demonstrada que é preciso manter e reforçar.

É por isso urgente e premente que a LBP, para além de representar as Associações/CB’s represente todos os bombeiros e faça ver ao governo que nos CB’s (ditos voluntários) não há a EIP e os outros; Só há bombeiros, onde todos cumprem todas as missões, sejam voluntários ou assalariados, e estes, que são tão profissionais como aqueles cuja carreira regulamenta nos diplomas aprovados, têm que ser incluídos nessa regulamentação.

Anexos:
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